domingo, 14 de novembro de 2010

A carreira do crime

             Compartilhem da minha perplexidade ao ler um texto que encontrei na prova do Enem sobre uma pesquisa feita com jovens.
             Estudo feito por por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado.
              O tráfico oferece aos jovens de escolaridade precária(nenhum dos entrevistados havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem com estruturado com salários que variam de R$ 400.00a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo  o "piso salárial" oferecido pelo crime. Dos traficanes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%.
                Tais redimentos mostram que as políticas sociais compensatórias como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si incapazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de extratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar  e incentivam os pais a materem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela delinquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escolas, oficinas de cultura, escolhinhas de futebol) são importantes, mas nãop resolvem o problema.
              A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que esacolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porquea possibilidade de ser preso não é desprezivel. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição elimine o facinio dos salários do crime
(Editorial Folha de São Paulo 12 jan. 2003)